Entrevista feita com Dona Maria Ferreira Carneiro, 86
anos nascida no Arrependido próximo de Bela Vista.
Segundo ela as terras que formam a comunidade foram
doadas pelo seu avô o Senhor Inácio José da Silva. Os primeiros habitantes da
comunidade foram Angelina, Sebastião e Etelvino Barbosa.
Bela Vista era
um pequeno arraial tinha poucas casas (na verdade eram ranchos feitos de barro
e capim) e as condições de vida eram bastante precárias.
Naquela época as pessoas viviam da
produção agrícola. Eles socavam o arroz no pilão ou muito raramente o levavam
para limpar em uma máquina em
Ponte Nova cidade distante. Ela ainda ressalta que o arroz
tradicional em nossa culinária nos dias atuais não era um produto do dia a dia
era feito em ocasiões especiais ou quando recebiam visitas importantes.
O vestuário era muito simples como não
tinham condições de comprar roupas eles compravam o pano e levavam para as
costureiras da região. As mulheres só usavam saias e vestidos não tinham o
hábito de usar calças. Usavam sapatos de palha e na maioria das vezes andavam
descalços.
A água usada era de minas ou doada por
Maria Fortunata que tinha uma bica em casa, essa água era usada para cozinhar,
lavar roupa e tomar banho. Banho este tomado de corpo inteiro somente no
sábado.
As camas (quando tinham) eram feitas de
bambu e forrada com esteira ou sapé e os cobertores eram finos e pequenos
chamado de “levanta cedo”. Em dias frios faziam fogueira dentro de casa para
aquecer.
Para substituir a luz usavam lamparinas
com querosene, candeia e taquara.
Em casos de doenças eram levados de
carroça ou carro de boi até Furquim distrito de Mariana onde eram transportados
em trem de ferro até Belo Horizonte.
As primeiras professoras da Comunidade
foram Joana Henrique de Araújo mais tarde substituída por Efigênia e Georgina
ambas lecionavam e casa.
Não tinham muitas festas, na comunidade
realizava-se uma vez por ano a festa da padroeira que é Nossa Senhora do
Rosário, participavam da festa grupos de congados vindos de outras regiões.
Haviam sanfoneiros na região que de vez em quando faziam apresentações para
poucas pessoas.
Não havia muitas atividades para o
entretenimento, se divertiam ouvindo as histórias contadas pelos mais antigos
através de rodas de conversa. Raramente iam à Diogo de Vasconcelos (nome dado à
cidade em homenagem ao historiador
Diogo Luiz Pereira de Vasconcelos, o distrito passou assim a ser chamado, em
1928. Em 1962 é elevado município, desmembrado de Mariana, governado por Oscar
de Oliveira, Prefeito Interino. Em setembro do ano seguinte (1963), foi eleito
pelo povo o primeiro prefeito: Dr. Dante Guimarães Sampaio, tomando posse em 08
de setembro, dia em que comemoramos o aniversário de Emancipação Política e
Administrativa de Diogo de Vasconcelos, antes distrito de Mariana) para
assistirem missa aos domingos ou quando tinha a festa do padroeiro São Domingos
de Gusmão, festas estas tradicionais realizadas até hoje. Como naquela época
não tinham meios de transporte iam a pé.
Com o passar dos anos a prefeitura foi
investindo em benefícios como luz, água potável e saneamento básico, com isso a
população foi aumentando cada vez mais e as casas passaram a ser construídas
com tijolos e telhas.
Hoje as pessoas vivem tranquilas, a
qualidade de vida melhorou, as crianças têm acesso a escola de boa qualidade,
campo de futebol, uma Unidade Básica de Saúde com atendimento médico e
dentário, dispõem de transportes facilitados para as cidades vizinhas, acesso à
internet, redes sociais, pesquisas escolares, jogos educativos e curso básico
de informática através do Telecentro Comunitário.
Casas antigas
A Comunidade Hoje
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